Com ferrugem quatro vezes maior, especialista recomenda planejamento nutricional para a safra de soja 2026/27
Registros da doença saltaram de 124 para 379 casos entre os ciclos 2024/25 e 2025/26. Especialista alerta para planejamento nutricional na próxima safra
Setembro marca o encerramento do
vazio sanitário nas principais regiões produtoras e abre oficialmente a janela
de semeadura da soja 2026/27. Paraná e São Paulo largam na frente, com
liberação já em 1º de setembro para parte de seus municípios. Em Mato Grosso, o
plantio pode começar em 7 de setembro; em Mato Grosso do Sul, em 16; em Goiás,
em 25; e em Minas Gerais e no Distrito Federal, a partir de 1º de outubro. As
datas constam do calendário fitossanitário definido pela Portaria SDA/Mapa nº
1.579, de abril de 2026.
O produtor entra nessa janela,
porém, com um sinal de alerta vindo do ciclo anterior. Levantamento do
Consórcio Antiferrugem contabilizou 379 registros de ferrugem-asiática na safra
2025/26, pouco mais do que o triplo dos 124 casos apurados em todo o ciclo de
2024/25. O avanço reforça a importância do cumprimento do vazio sanitário e
antecipa a discussão sobre manejo para o novo ciclo.
O contexto produtivo adiciona uma
camada a essa conta. Segundo o 11º Levantamento da Safra de Grãos da Conab,
divulgado em agosto, a safra 2025/26 deve alcançar 360,8 milhões de toneladas,
alta de 2,4% sobre o ciclo anterior. O crescimento, no entanto, veio quase
inteiramente da expansão da área cultivada, que chegou a 83,5 milhões de
hectares, avanço de 2,1%. A produtividade média ficou em 4.322 quilos por
hectare, praticamente estável na comparação com a safra passada.
Para Douglas Vaz-Tostes,
gerente técnico nacional da GIROAgro, o planejamento nutricional é uma das
decisões que mais influenciam a capacidade da lavoura de sustentar
produtividade ao longo do ciclo, inclusive diante de estresses que aparecem
mais adiante.
“A escolha correta dos insumos,
principalmente dos fertilizantes, define a eficiência de todo o sistema
produtivo. Quando o produtor investe em nutrientes adequados, na dose certa e
no momento certo, ele reduz perdas, aumenta a rentabilidade e protege o
potencial produtivo da cultura. Em um cenário de clima instável, acertar nessas
decisões deixa de ser recomendação e passa a ser condição básica para o sucesso
da safra.” afirma Douglas.
A janela de semeadura escalonada
entre os estados também exige atenção logística ao insumo. A Associação
Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) registrou 12,30 milhões de toneladas de
fertilizantes entregues ao mercado brasileiro no primeiro quadrimestre de 2026,
alta de 1,6% sobre o mesmo período do ano anterior. Abril, porém, já apontou
desaceleração: foram 2,54 milhões de toneladas, volume 6% inferior ao de um ano
antes, movimento que a entidade associa a um comportamento mais cauteloso do
produtor diante de crédito restrito e juros elevados na preparação da safra de
verão.
“Em um mercado em que as margens
estão pressionadas, o crédito está restrito devido às taxas de juros e o custo
dos insumos está em alta , a resposta mais adequada para a aplicação se chama
eficiência. Isso vale mais do que dobrar a dose. Trata-se de usar menos menos
tecnologias erradas e usar melhor as certas no momento mais preciso e de forma
integrada.” declara o especialista em fertilizantes da GIROAgro , Fellipe
Parreira.